terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Biblioteca da Faculdade de Direito implanta autoatendimento

A biblioteca da Faculdade de Direito conta agora com terminal de autoatendimento que permite ao próprio usuário realizar os procedimentos de empréstimo e devolução. A unidade é a primeira da UFMG a utilizar o sistema, que custou R$30 mil, e visa diminuir o tempo de espera para realização das operações da biblioteca.
O terminal é acessado por um monitor sensível ao toque e para utilizá-lo o usuário precisa ter em mãos a carteira da biblioteca. Livros em atraso também podem ser devolvidos no autoatendimento e os empréstimos realizados são os enquadrados na modalidade de empréstimo normal. Empréstimos especiais, com prazo de devolução diferenciado, e de obras da coleção-reserva e periódicos devem ser realizados no balcão de atendimento.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Escrevendo sobre o ato de escrever textos acadêmicos (Aldo de Albuquerque Barreto)


Na palavra falada temos que ser, em absoluto, do nosso  tempo e lugar; não podemos falar como Vieira, pois nos  arriscamos ou ao ridículo ou à incompreensão. Não  podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao  tédio alheio. A palavra escrita, ao contrário, não é para  quem a ouve, busca quem a ouça; escolhe quem a entenda,  e não se subordina a quem a escolhe. Na palavra escrita  tem tudo que estar explicado, pois o leitor nos não pode  interromper com o pedido de que nos expliquemos melhor.

(Fernando Pessoa. O livro do desassossego)

Um artigo científico deve ser escrito com clareza, precisão e, sobretudo, atualmente quando todos vão ler na web com uma visualização adequada para esta leitura online. O leitor deve ficar interessado na narrativa e ser capaz de entender o seu conteúdo facilmente. Um texto deve apresentar adequadamente os objetivos, o porquê e como foi escrito -metodologia - os resultados encontrados e suas aplicações.

Artigos científicos e técnicos são recusados para publicação devido à má qualidade da sua apresentação. Possuem frequentemente um excesso de informação irrelevante, ausência de conclusões precisas, tabelas e gráficos mal feitos e em demasia e deficiência na apresentação dos resultados.

O escrever acadêmico é rico em citações. Mas deve ser lembrado que em cada citação o autor passa a autoria do seu texto para a voz de outrem. Se um texto possui mais da metade de suas linhas de citações, incluindo quadro e tabelas, a autoria é difusa e esta em rede.

Pela mesma razão não se pode ter um texto de 20 páginas com muitas citações, links, quadros e tabelas de outra autoria e ao concluir tudo isso o autor o faz em uma lauda. Como diria Pessoa "arriscamos ou ao ridículo ou à incompreensão".

Além de manter uma boa organização na apresentação dos objetivos, fatos e conclusões, há que cuidar da ortografia e a gramática para que o leitor não tenha problemas para entender o que você está tentando dizer. Ele não pode perguntar ao texto uma nova explicação.

Existem várias formas para se publicar um artigo técnico ou uma publicação científica, como: divulgação científica, revisão temática, descrição de aplicação de um modelo, uma opinião do autor. Mas os artigos preferidos por editores são aqueles onde, em sua maior parte, existe um questionamento original e com nítida preponderância de enunciados reveladores de uma reflexão própria do autor.

É preciso cuidar para não tipificar ou especificar seu artigo como uma simples descrição sem reflexão de análise e avaliação de literatura; textos cujo formato mostre uma estrutura típica de uma adaptação de um trabalho de final de curso de graduação ou pós-graduação; textos com autoria múltipla onde a contribuição de cada um dos autores para o artigo não possa estar claramente definida e explicitada no encaminhamento do conteúdo ( artigos de grupo de pesquisa ou rede de pesquisa na autoria o nome do grupo); cuidar com textos excessivamente específicos ou descritivos, de análise de um serviço/ produto ou fortemente baseados em um determinado contexto, um local geográfico, um serviço, um produto ou uma empresa e seu produto.

Faça um título curto, que chame a atenção, e além de tudo, que reflita o tema principal do artigo. Não o faça muito longo; escreva o seu nome e a sua filiação institucional de forma uniforme e sistemática como usa em todas as suas publicações para que seus artigos possam ser reconhecidos e citados de forma correta por outros autores.

As pessoas se baseiam no Resumo ou no Abstract para decidirem ler ou não o restante de um artigo. Os buscadores da web vão indicar o seu resumo ou abstract. Assim, resuma de maneira precisa os tópicos principais do artigo e as conclusões obtidas através do seu trabalho. Não utilize mais que 150 a 250 palavras. Limite o número de tópicos para evitar confusão na identificação do artigo. Não inclua referências, figuras, citações siglas ou equações no resumo.

O Abstract é a versão do resumo em inglês. Por uma questão de coerência, ele deve possuir tamanho e significado compatíveis com o resumo. A versão em inglês não deverá ser apenas uma tradução literal ou convencional do resumo, mas sim uma tradução adaptada. Use frases de até 2 linhas no máximo. O leitor na língua inglesa não consegue perceber o significado em longas frases com orações subordinadas e/ou coordenadas.

Por vezes, editores solicitam a inclusão de um conjunto de palavras-chave que caracterizem o seu artigo. Estas palavras serão usadas posteriormente para permitir, também, que o artigo seja encontrado por sistemas eletrônicos de busca. Por isso, você deve escolher palavras-chave que identifiquem o artigo. Um bom critério é selecionar as palavras que você usaria para procurar na web um artigo semelhante ao seu.

A introdução é uma sinopse geral do conteúdo do seu artigo científico sem entrar em muitos detalhes. Especifique a relevância da publicação do seu artigo: explique como o seu trabalho contribui para ampliar o conhecimento em uma determinada área ou se ele apresenta novos métodos para resolver um problema ou se ele é um trabalho de opinião do autor ou de um Grupo de pesquisa. Apresente uma revisão da literatura em sua maioria publicada nos últimos 5 anos e específica sobre o tópico abordado; forneça um histórico do problema.

Corpo do artigo:

Defina o problema ou tópico estudado, explique a terminologia básica, e estabeleça claramente os objetivos e as hipóteses. Note que artigos são frequentemente rejeitados para publicação porque os autores apresentam apenas os objetivos pouco claros ou inatingíveis.

Formulação teórica, Metodologia e materiais e métodos - Apresente as formulações teóricas. Informe a metodologia e todos instrumental e métodos de pesquisa de forma que os leitores sejam capazes de entender como o estudo foi realizado. Em trabalhos experimentais indique os procedimentos de uma forma coerente. Dê crédito ao trabalho de outras pessoas através de referências: não invente conceitos e forneça detalhes e definições dos conceitos discutidos ou indique a fonte que os explique.

Falhas comuns em artigos técnicos incluem o uso inapropriado de tabelas e figuras que confundem os leitores; a falta de análises adequadas das estatísticas, a abundância de percentuais e quadros confunde o texto. Tabelas devem ser incluídas quando se deseja apresentar um número pequeno de dados e se recheadas de texto inibem sua leitura. Lembrar que a maioria dos artigos vai para a web e necessita uma boa visualização tanto como a clareza de conteúdo. Evite um conteúdo recheado indicações em caixa alta, negritos, e sublinhados. Nunca apresente a sigla substituindo o extenso no texto, não use frases de mais de 50 palavras. Quando você usa uma citação ou um quadro ou figura de outro autor você esta passando a autoria do texto para o escritor citado. Se há um excesso de citação e figuras de outros o texto não é mais seu, mas sim desta rede de escritores citados.

A seção Resultados deve ser apresentar as suas reflexões sobre as evidências de seu estudo. Se não puder escrever com facilidade sobre estas sua reflexões o artigo não merece ser escrito. Conclusões e resultados devem conter pelo menos 5 laudas.

Apresente argumentos convincentes e adequados, análises, padrões/tendências observadas, opiniões e ideias além da dos números coletados. Faça comparações com resultados obtidos por outros pesquisadores, caso existam. Sugira aplicações para o seu artigo.

Você pode iniciar a sua conclusão mostrando o que é novo e relevante em seu texto. Sua conclusão deve ser analítica, interpretativa, e incluir argumentos explicativos. Você deve ser capaz de fornecer um dialogo conceitual lógico e coerente dos resultados do trabalho e suas possíveis aplicações. Forneça informações completas sobre as referências utilizadas. Um artigo cientifico, mesmo sob a forma de ensaio teórico,, não deve conter menos que 50 referências analisadas. Insira como apêndice as informações que não são precisam ser visualizadas no texto principal como, por exemplo: questionários, software utilizado, relação de dados.

Roteiro para checar o seu texto

1 Título: reflete o conteúdo, as palavras utilizadas são apropriadas

2 Precisão do Texto: as informações estão claras, bonitas e sem excessos de diagramas; os parágrafos estão adequados para leitura.

3 Estilo: o conteúdo está correto?

4 Apresentações dos Dados: tratamento das figuras e tabelas esta adequado; há algo que deveria ir para o anexo.

5 Justificativa: revisão da literatura, marco teórico:
Foram esquecidos artigos históricos ou clássicos;
Foi obedecida uma cronologia;
Como foi abordado o arcabouço teórico adotado

6 Metodologia e Métodos e instrumentais
Qual foi o tipo de metodologia utilizada;
Qual foi o instrumental e os métodos usados;
Qual foi o local de realização da pesquisa; (Quais entidades envolvidas)
Quais foram os critérios de inclusão de dados;
Quais foram os critérios de exclusão adotados?
Quais as variáveis estudadas?
Como foram mensuradas?

7 Conteúdo
As principais perguntas foram respondidas;
Os erros ortográficos e de concordância são só acidentais?
O estilo de redação é bonito, direto, claro e objetivo?
A sequência de raciocínio é lógica e faz sentido?
A apresentação é de boa qualidade tanto para a mídia impressa quanto digital
O mesmo estilo foi utilizado em todo o texto;
Há excesso de formatação no texto, muitas figuras, tabelas, etc.,;
Os anexos são relevantes.

8 Resultados
Os resultados encontrados são coerentes;
Foram apresentados de forma apropriada;
Foram enfatizados os principais resultados;
Foram discutidas as limitações dos resultados;
O significado do texto traz novidades.

9 Conclusões:
Estão adequadas e corretas? ( em harmonia com os objetivos? com a metodologia e os métodos? com os resultados?);
As descrições das conclusões ocupam o equivalente a 5 laudas ou mais?
Foram enfatizados os principais resultados;
Foram discutidas as limitações do texto;
As questões colocadas foram respondidas no texto.

A velocidade da escrita, leitura e assimilação mudou assim como mudou a quantidade de informação a qual estamos expostos; evite causar estresse cognitivo no leitor; apresente a informação de maneira visualmente destinada para a percepção com uma estrutura gráfica/textual que
permita uma visualização
amigável.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010


ENANCIB 2010

Neste ano contamos com a participação da doutora Gercina Lima e também das suas alunas de mestrado Benildes Coura Moreira dos Santos Maculan e Fernanda Pereira. Esteve presente também a pesquisadora Graciane Bruzinga participante do mesmo grupo. Os trabalhos foram apresentados no XI Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, que teve como tema Inovação e inclusão social: questões contemporâneas da informação. Abaixo segue o resumo das apresentações:


Proposta de modelo de leitura para extração de conceitos: criação de taxonomia facetada para navegação em bibliotecas digitais de teses e dissertações

Benildes Coura Moreira dos Santos Maculan
Gercina Ângela Borém de Oliveira Lima

Apresenta um modelo de Leitura Técnica para a sistematização da análise de assunto em documentos do tipo teses e dissetaçãoes, para identificação de conceitos representativos de seu conteúdo. É produto de uma pesquisa em andamento que tem como objetivo criar uma taxonomia facetada para navegação, como interface de busca, visando facilitar a representação e posterior recuperação de informações em bibliotecas digitais de teses e dissertações. A fundamentação teórico - metodológica para o desenvolvimento do modelo utilizou os estudos de fugita e Rubi (2006), que criaram um modelo de leitura para análise de artigos da área biológica. As autoras basearam o modelo proposto na Norma 12.676 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (1992), na metodologia proposta por Kobashi (1994) para indexação de documentos, e no sistema PRECIS (FUGITA, 2003) para identificação de conceitos. O uso do modelo elaborado visa minimizar os problemas de ocorrência de inconsistência na indexação dos documentos apontados pelo resultado parcial da pesquisa da pesquisa. Com a criação da Taxonomia facetada pretende-se dar maior visibilidade ao conhecimento acumulado  nas teses e dissertações, principalmente facilitando sua recuperação.


Melhoramento de interfaces de bibliotecas digitais através de estudos através de estudos de usabilidade

Fernada Pereira
Gercina Ângela Borém de Oliveira Lima

Esta pesquisa aborda a importância da usabilidade para interfaces de bibliotecas digitais. Têm como objetivos avaliar a usabilidade da interface da biblioteca digital brasileira de teses e dissertações mantida pelo Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia (IBICT), verificar as contribuições que as recomendações de usabilidade podem trazer as bibliotecas digitais e sua importância para melhorar a eficiência para recuperação de informações nas bibliotecas digitais. Para atender tais objetivos será feita uma avaliação heurística de usabilidade da interface a fim de levantar os principais problemas de usabilidade e sugerir melhorias que possam minimizar esses problemas.
Indexação automática de documentos textuais: proposta de cristérios essenciais

Graciane Bruzinga Borges


Este estudo visa à avaliação de critérios de indexação automática para o desenvolvimento de softwares destinados à extração de termos representativos do conteúdo de documentos textuais. Estudam-se as maneiras de se realizar o processo de indexação – manual e automática – e discute-se a aplicação desses critérios para a otimização da primeira etapa do processo, que é a análise de assunto. O volume de documentos publicados na atualidade demanda grandes esforços para se adquirir técnicas alternativas para sua indexação, realizar esse processo manualmente tem sido considerado um processo lento. Identificaram-se os critérios de indexação automática mais utilizados através de estudo de artigos técnico-científicos da área, para, então, analisar o grau de satisfação obtido pelos pesquisadores por meio de sua combinação. Para a análise dos dados, utilizou-se o método analítico-sintético, baseado em Dahlberg (1978), e constituído neste trabalho de duas principais etapas: (1), Identificaram-se os critérios de indexação automática encontrados na literatura. Essa etapa foi composta de dois estágios: (a) seleção de textos sobre indexação automática; (b) leitura dos textos e identificação dos critérios de indexação automática neles encontrados. Etapa (2), proposição de um conjunto de critérios ideal para o processo de indexação automática. Os estágios dessa etapa foram: (a) seleção de uma amostra dos textos utilizados na etapa 1 e (b) análise da combinação dos critérios utilizados em cada texto e interpretação dos respectivos resultados. Entre os objetivos alcançados, encontram-se: (1) listagem dos critérios encontrados na literatura, (2) caracterização de cada critério, (3) listagem dos critérios mais recorrentes.


Para acessar o texto completo acesse o link: http://congresso.ibict.br/index.php/enancib/xienancib/paper/view/544/104
MODELOS DE CATEGORIZAÇÃO: Apresentando o modelo clássico e o modelo de protótipos


Leia o novo artigo da professora doutora Gercina Lima.
Resumo:
Este trabalho apresenta um estudo preliminar sobre os modelos de categorização clássicos e de protótipos. O modelo clássico de categorização do conhecimento é baseado nas idéias aristotélicas e o modelo de protótipos de categorização elaborado por Eleanor Rosch, na década de 1970. Confrontam-se as posições antagonistas do modelo clássico e do modelo de protótipo: a primeira, na qual as categorias são definidas somente pelas propriedades que todos os membros da classe possuem; a segunda, na qual alguns membros condensam melhor os traços mais característicos da categoria.
Palavras-chave: Categorização; Ciências cognitivas; Modelo clássico de categorização; Modelo de protótipo de categorização.
LIMA, G. Â. B. O. MODELOS DE CATEGORIZAÇÃO: Apresentando o modelo clássico e o modelo de protótipos. Perspecticas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.15, n.2, p.108-122, maio./ago. 2010. Disponível em http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/919/735. Acesso em: 02 set. 2010.